17 Setembro 2008
Mais um defunto
09 Setembro 2008
Saída Romântica
O médico, um careca convicto o diagnosticou com alopecia androgenética. "Tem cura?", perguntou. "Infelizmente não", respondeu o dermatologista. Saiu do consultório com uma receita e o compromisso de tomar um comprimido por dia.
O tratamento não tinha prazo para acabar. Se surtisse efeito, usaria a tal droga o resto da vida. Quando comprou a segunda caixa, fez de cabeça a conta de quanto gastaria até o fim da vida para manter os fios que ainda lhe restavam. Seria o equivalente a um carro popular. Mas tudo bem, o importante era ter cabelo para aumentar as chances de um dia conquistar sua princesa Lea. Até lá, iria juntando os trocados e continuaria a visitar Carmela no bordéu de 15 em 15 dias.
Era a coisa mais próxima que tinha de um relacionamento amoroso. Religiosamente ficava com ela quinzenalmente e foi assim desde que a conhecera 2 anos atrás no Maça do Amor. Quinze dias atrás disse à Carmela que a amava. Ela respondeu apenas que gostava muito dele também. Aí acabou a hora e ele teve de ir embora. Ela precisava continuar ganhando a vida.
Hoje deveria ter voltado para vê-la. Não foi. Estava com vontade de ir para casa ler um livro. Sentia-se vazio de libido. Tentou achar um motivo para isso e não encontrou.
Alguns dias depois descobriu que o medicamento para calvície lhe roubava o desejo. Ficou mais alguns dias refletindo. Se continuasse tomando a droga, teria cabelo e poderia até ter alguém, mas sem desejo. Se parasse, teria desejo mas ficaria ainda mais desprovido de beleza. Entre uma coisa e outra, preferiu a saída romântica. Junto com o último comprimido tomou uma boa dose de raticida.
04 Setembro 2008
Psiquê
Outro dia no trabalho, uma foca se recusou a entrevistar vítimas de câncer pulmonar para uma matéria. Alegou que seu pai havia falecido recentemente de câncer ela ainda estava numa fase de negação, sem disponibilidade para vivenciar o drama do outro.
Agora a pouco, o rato mais velho da redação reclamava que estava numa jornada de auto-conhecimento, esperando a grande catarse de sua vida, para aí sim poder ser feliz.
Eu fico ouvindo estas merdas todas e fingindo algum interesse. Nunca digo as coisas desagradáveis que penso a respeito dos psicanalistas amadores de plantão. Nestes mesmos momentos fico pensando se esta minha necessidade de não desagradar as pessoas não é, na verdade, uma forma de não reviver o trauma de ter sido criado por uma mãe que reprovava tudo o que eu dizia, sem nunca ter me amado, porque via em mim um réplica em miniatura do péssimo homem que foi meu pai.
31 Agosto 2008
Alguma Poesia
sem cadência,
Dessa ausência de melodia
nas coisas.
Me canso do desatino
e da idiotice que insiste
em não ser lírica,
em ser simples
em ser pouco.
Estou cansado mesmo dessa vida
onde só a tristeza parece ter
ritmo e bossa.
Estou puto da vida,
por dançar sozinho no salão.
Nem os músicos vieram.
Sem nome #2
Essa máquina
que pulsa e escreve,
não é pulso
nem máquina
Essa vontade
de impulso
que nos leva a
escrever
Não é
pura, nem
desinteressada,
antes é:
um não conter
um sentir
sem sentido,
sem ser
máquina,
pulso,
nada.
30 Agosto 2008
Daltr
29 Agosto 2008
Telecurso
Incompleto
A ignorância chegou num ponto que até mesmo estes católicos que em seu código genético trazem um ódio tacanho aos judeus, colocam em seus filhos nomes como Samuel ou Nathan. Não é que o preconceito não exista, as pessoas simplesmente não associam o seu preconceito aos nomes que acham bonitos. Até pra ser um estúpido racista é preciso alguma cultura.
Eu nunca reparei muito no mome das coisas. Sei que independente dos nomes elas vão me incomodar mais ou menos. Neste caso mais.
Abraão é um tipo folgado. Hoje tento remontar o momento exato em que entrou em minha vida sem ser convidado. Pelo menos eu não convidei. Mas como sempre estes tipos vão se aproximando pelas beiradas e quando se vê estão dormindo na sua casa e abrindo a geladeira. Uma espécie de cunhado, mas sem a irmã, que dorme com você. Quando se percebe que as coisas estão fora dos eixos você está mudando sua forma de fazer as coisas para não dizer ao outro o que o desagrada. Comecei a pensar nisto quando percebi que não conseguia mais ler o jornal todo pela manhã. Quando ia procurá-lo estava espalhado por toda a casa. O caderno de esportes no banheiro, sobre o bidê, a Ilustrada na sala, o primeiro caderno incólume na gamela da sala. Depois parei de comer pão, porque nunca havia pão. Abraão parecia gostar mais do que eu e quando acordava já não havia nenhum. Minha úlcera agradece sempre a ele por só tomar um café preto antes de sair para o trabalho.
Outro dia fui reclamar com Abraão e ele ficou sentido. Disse que na verdade eu o culpava por minha própria desorganização. Que se eu fosse mais zeloso a casa não pareceria tão bagunçada. Claro que não falou com estas palavras, falou numa sub-língua mista de regionalismo com preguiça, mas eu só consigo guardar os conceitos, nunca as formas. É assim que me lembro, me lembro também de não ter sentido raiva na hora. Simplesmente ignorei com minha superioridade fajuta que comprei no Brás. Mas depois pensei melhor no que se encontra por trás disto. Abraão as vezes vem reclamar que eu nunca posso sair para tomar uma cerveja ou algo mais forte. Chegou a vir aqui dizer que não iria me chamar para sair porque eu nunca aceito e foi-se embora.
28 Agosto 2008
Mea Culpa
Voltando aos poucos
Como sempre, quando eu recomeço tudo (não é a primeira vez) quero abraçar o mundo inteiro de uma vez só. Atualizo também o twitter, o Jaiku e qualquer outra modinha da internet. Se você ainda assina este feed ou passa por aqui, talvez encontre novidades mais frequentes.
26 Agosto 2008
Lendo
Em 1922, o escritor irlandês James Augusta Joyce publicou seu livro Ulisses, considerado o romance do século. Ele mostra a odisséia do pequeno-burguês irlandês Leopold Bloom por Dublin no dia 16 de junho de 1904. Desde então, esse dia é celebrado pelos fãs de Joyce como o bloomsday (um trocadilho com o doomsday, o dia do Juízo Final). O herói do romance é um judeu, mas os episódios que ele vivencia naquele dia seguem o padrão da Odisséia. Com isso Joyce quer nos lembrar que a nossa cultura é um território atravessado por duas correntes e banhado por dois rios. Um deles nasce em Israel, o outro na Grécia. Os rios são dois textos centrais que alimentam todo o sistema hídrico da cultura com histórias ricas em nutrientes.
Cultura Geral - Tudo o que se deve saber
Dietrich Schwanitz
Martins Fontes
28 Julho 2008
Oops
24 Maio 2008
Notinhas II
2) Tribunal de Justiça de São Paulo considera que portar drogas não é crime. Segundo a ótica invertida do capitão Nascimento "agora fudeu."
3) Assisti hoje no SPTV que um caminhoneiro foi socorrer vítimas de um acidente na Castelo Branco e foi atropelado. Parece que a regra do Bom Samaritano não se aplica mais no mundo.
4) E por falar em rodovia Castelo Branco, vale lembrar que ela foi finalizada no governo militar sob o binômio "Seguranca e Desenvolvimento". O "Segurança" decididamente não tinha relação direta com a da estrada.
23 Maio 2008
Notinhas
2) Isso me faz relembrar de uma hipótese já compartilhada com os amigos mais próximos. A de que o repositório intelectual brasileiro parece não se renovar na mesma velocidade com que se esvazia. Fico me perguntando sempre quando virão os novos Millor Fernandes, Rubem Alves, Oscar Niemeyer e Élio Gaspari, quando os atuais se forem.
3) Pra animar um pouco o dia, leio que saiu filme novo de Charlie Kaufman e pela primeira vez com o roteirista também como diretor. Quando será que estréia por aqui?
07 Fevereiro 2008
Encontro de Titãs
Trecho:
Antes de qualquer pergunta sobre o seu livro, gostei de ver nele as fotos dos seus filhos brincando com um pelúcia do Lula. Em São Paulo, um amigo mostrou-me o mesmo boneco e disse-me que tinha sido criado por um artista plástico. Ainda tentei comprar um, mas não consegui. Você sabe onde eu posso encontrar esse boneco? Vou ver se arrumo um boneco extra. Obrigado. Você não acha que o boneco tem uma graciosidade que falta ao presidente? Pouco tempo atrás, acordei no meio da noite e flagrei o boneco roubando minha carteira e tentando matar o peixe no aquário.
20 Janeiro 2008
Claro, mas meio obscuro I
Nesse diapasão, o Código de Defesa do Consumidor, Lei 8078/90, muito bem versou sobre o direito de arrependimento em seu artigo 49, dando a devida proteção ao consumidor para o caso deste se arrepender do contrato celebrado fora do estabelecimento comercial do fornecedor e também estabelecendo um prazo para ele exercer este direito, sob pena de prejudicar o fornecedor, senão vejamos:
Art. 49. "O consumidor pode desistir do contrato, no prazo de 7 (sete) dias a contar de sua assinatura ou do ato de recebimento do produto ou serviço, sempre que a contratação de produtos e serviços ocorrer fora do estabelecimento comercial, especialmente por telefone ou a domicilio".
Parágrafo único. Se o consumidor exercitar o direito de arrependimento previsto neste artigo, os valores eventualmente pagos, a qualquer título, durante o prazo de reflexão, serão devolvidos, de imediato, monetariamente atualizados".
Começa agora meu diálogo com a Claro para exercer este meu dirteito. Vamos ver se será simples fazer se cumprir a lei. Manterei o assunto atualizado aqui.