17 Setembro 2008

Mais um defunto

Há algum tempo estava postando aqui e no tumblr. Desde o início desta semana estou postando só no tumblr. O sistema é mais amigável e me oferece mais opções. Para não perder este histórico, usei uma ferramenta alternativa para importar meus posts deste blog para lá. Não foram todos, mas uns 90%. Peço a delicadeza dos leitores que migrem seus links para lá. 

Para os que acessam diretamente: http://daltoncampos.tumblr.com
Para os que assinam o feed: http://feeds.feedburner.com/Daltr
Para os que recebem por e-mail (cadastrem-se novamente): http://www.feedburner.com/fb/a/emailverifySubmit?feedId=2383423&loc=pt_BR

Um forte abraço,


09 Setembro 2008

Saída Romântica

Tinha uns 20 e poucos anos quando começou a ficar careca. Resolveu consultar um médico. Já que era feio e pobre, que pelo menos tivesse cabelos.

O médico, um careca convicto o diagnosticou com alopecia androgenética. "Tem cura?", perguntou. "Infelizmente não", respondeu o dermatologista. Saiu do consultório com uma receita e o compromisso de tomar um comprimido por dia.

O tratamento não tinha prazo para acabar. Se surtisse efeito, usaria a tal droga o resto da vida. Quando comprou a segunda caixa, fez de cabeça a conta de quanto gastaria até o fim da vida para manter os fios que ainda lhe restavam. Seria o equivalente a um carro popular. Mas tudo bem, o importante era ter cabelo para aumentar as chances de um dia conquistar sua princesa Lea. Até lá, iria juntando os trocados e continuaria a visitar Carmela no bordéu de 15 em 15 dias.

Era a coisa mais próxima que tinha de um relacionamento amoroso. Religiosamente ficava com ela quinzenalmente e foi assim desde que a conhecera 2 anos atrás no Maça do Amor. Quinze dias atrás disse à Carmela que a amava. Ela respondeu apenas que gostava muito dele também. Aí acabou a hora e ele teve de ir embora. Ela precisava continuar ganhando a vida.

Hoje deveria ter voltado para vê-la. Não foi. Estava com vontade de ir para casa ler um livro. Sentia-se vazio de libido. Tentou achar um motivo para isso e não encontrou.

Alguns dias depois descobriu que o medicamento para calvície lhe roubava o desejo. Ficou mais alguns dias refletindo. Se continuasse tomando a droga, teria cabelo e poderia até ter alguém, mas sem desejo. Se parasse, teria desejo mas ficaria ainda mais desprovido de beleza. Entre uma coisa e outra, preferiu a saída romântica. Junto com o último comprimido tomou uma boa dose de raticida.

04 Setembro 2008

Psiquê

Eu odeio Freud, Jung, Sartre, Camus. Não os odeio propriamente pelo que falaram, se é que falavam. O que odeio mesmo é como eles se tornaram muletas, desculpas para tudo.

Outro dia no trabalho, uma foca se recusou a entrevistar vítimas de câncer pulmonar para uma matéria. Alegou que seu pai havia falecido recentemente de câncer ela ainda estava numa fase de negação, sem disponibilidade para vivenciar o drama do outro.

Agora a pouco, o rato mais velho da redação reclamava que estava numa jornada de auto-conhecimento, esperando a grande catarse de sua vida, para aí sim poder ser feliz.

Eu fico ouvindo estas merdas todas e fingindo algum interesse. Nunca digo as coisas desagradáveis que penso a respeito dos psicanalistas amadores de plantão. Nestes mesmos momentos fico pensando se esta minha necessidade de não desagradar as pessoas não é, na verdade, uma forma de não reviver o trauma de ter sido criado por uma mãe que reprovava tudo o que eu dizia, sem nunca ter me amado, porque via em mim um réplica em miniatura do péssimo homem que foi meu pai.

31 Agosto 2008

Alguma Poesia

Como comentei no Tumblr, encontrei no blog do Caio dois pooemas que escrevi quando ainda achava que podia escrever poesia. Fiquei feliz porque eu mesmo já não tinha mais estes poemas, vítimas das inúmeras formatações de HD a que me sujeitei. Talvez eles até existam no antigo Otium Creatus, mas como o blogger da Globo não possui tags, não dá pra ficar procurando. Segue aí:

Sem nome #1

Estou cansado deste barulho
sem cadência,
Dessa ausência de melodia
nas coisas.
Me canso do desatino
e da idiotice que insiste
em não ser lírica,
em ser simples
em ser pouco.

Estou cansado mesmo dessa vida
onde só a tristeza parece ter
ritmo e bossa.
Estou puto da vida,
por dançar sozinho no salão.
Nem os músicos vieram.

Sem nome #2

Essa máquina
que pulsa e escreve,
não é pulso
nem máquina

Essa vontade
de impulso
que nos leva a
escrever

Não é
pura, nem
desinteressada,
antes é:

um não conter
um sentir
sem sentido,
sem ser
máquina,
pulso,
nada.

30 Agosto 2008

Daltr

Uso este blog para postar reflexões e meus contos e crônicas. Mas também uso o twitter para postar frases soltas. O que existe entre uma coisa e outra posto no tumblr.

29 Agosto 2008

Telecurso

O ano passado eu tive um blog chamado Segurança Digital que foi, com certeza, meu blog mais bem sucedido. Quando voltei a trabalhar em agências, depois de uma temporada com hora para sair do trabalho, tive de fechar as portas. Como este blog não existe mais este vídeo feito para ele ficou perdido no meu HD. Um desperdício.

video

Incompleto

Limpando minhas pastas achei um arquivo incompleto e sem título. Não me lembro porque não concluí este texto. Mas vai publicado aqui, mesmo assim.

A ignorância chegou num ponto que até mesmo estes católicos que em seu código genético trazem um ódio tacanho aos judeus, colocam em seus filhos nomes como Samuel ou Nathan. Não é que o preconceito não exista, as pessoas simplesmente não associam o seu preconceito aos nomes que acham bonitos. Até pra ser um estúpido racista é preciso alguma cultura.

Eu nunca reparei muito no mome das coisas. Sei que independente dos nomes elas vão me incomodar mais ou menos. Neste caso mais.

Abraão é um tipo folgado. Hoje tento remontar o momento exato em que entrou em minha vida sem ser convidado. Pelo menos eu não convidei. Mas como sempre estes tipos vão se aproximando pelas beiradas e quando se vê estão dormindo na sua casa e abrindo a geladeira. Uma espécie de cunhado, mas sem a irmã, que dorme com você. Quando se percebe que as coisas estão fora dos eixos você está mudando sua forma de fazer as coisas para não dizer ao outro o que o desagrada. Comecei a pensar nisto quando percebi que não conseguia mais ler o jornal todo pela manhã. Quando ia procurá-lo estava espalhado por toda a casa. O caderno de esportes no banheiro, sobre o bidê, a Ilustrada na sala, o primeiro caderno incólume na gamela da sala. Depois parei de comer pão, porque nunca havia pão. Abraão parecia gostar mais do que eu e quando acordava já não havia nenhum. Minha úlcera agradece sempre a ele por só tomar um café preto antes de sair para o trabalho.

Outro dia fui reclamar com Abraão e ele ficou sentido. Disse que na verdade eu o culpava por minha própria desorganização. Que se eu fosse mais zeloso a casa não pareceria tão bagunçada. Claro que não falou com estas palavras, falou numa sub-língua mista de regionalismo com preguiça, mas eu só consigo guardar os conceitos, nunca as formas. É assim que me lembro, me lembro também de não ter sentido raiva na hora. Simplesmente ignorei com minha superioridade fajuta que comprei no Brás. Mas depois pensei melhor no que se encontra por trás disto. Abraão as vezes vem reclamar que eu nunca posso sair para tomar uma cerveja ou algo mais forte. Chegou a vir aqui dizer que não iria me chamar para sair porque eu nunca aceito e foi-se embora.

28 Agosto 2008

Mea Culpa

Estava relendo os contos postados aqui desde o início do blog e vi que há, muitos erros de português e digitação. Resolvi consertar isto aos poucos do início para o fim.

Voltando aos poucos

Aos poucos estou retomando a rotina. Escrevendo quase todos os dias, novos contos e outras coisas. Assim que possível vou postar alguns destes contos aqui. Por enquanto quase ninguém viu.
Como sempre, quando eu recomeço tudo (não é a primeira vez) quero abraçar o mundo inteiro de uma vez só. Atualizo também o twitter, o Jaiku e qualquer outra modinha da internet. Se você ainda assina este feed ou passa por aqui, talvez encontre novidades mais frequentes.

26 Agosto 2008

Lendo

Em 1922, o escritor irlandês James Augusta Joyce publicou seu livro Ulisses, considerado o romance do século. Ele mostra a odisséia do pequeno-burguês irlandês Leopold Bloom por Dublin no dia 16 de junho de 1904. Desde então, esse dia é celebrado pelos fãs de Joyce como o bloomsday (um trocadilho com o doomsday, o dia do Juízo Final). O herói do romance é um judeu, mas os episódios que ele vivencia naquele dia seguem o padrão da Odisséia. Com isso Joyce quer nos lembrar que a nossa cultura é um território atravessado por duas correntes e banhado por dois rios. Um deles nasce em Israel, o outro na Grécia. Os rios são dois textos centrais que alimentam todo o sistema hídrico da cultura com histórias ricas em nutrientes.

Cultura Geral - Tudo o que se deve saber
Dietrich Schwanitz
Martins Fontes

28 Julho 2008

Oops

O filme continua bonito, mas acho que depois deste fim de semana não vão poder veiculá-lo por um bom tempo.

24 Maio 2008

Notinhas II

1) Saiu finalmente a lista de séries canceladas no Estados Unidos e consequentemente para o próximo ano aqui também. Embora muitas delas nem tenham estreiado por aqui, não me pareceu haver grandes surpresas. Confira aqui.

2) Tribunal de Justiça de São Paulo considera que portar drogas não é crime. Segundo a ótica invertida do capitão Nascimento "agora fudeu."

3) Assisti hoje no SPTV que um caminhoneiro foi socorrer vítimas de um acidente na Castelo Branco e foi atropelado. Parece que a regra do Bom Samaritano não se aplica mais no mundo.

4) E por falar em rodovia Castelo Branco, vale lembrar que ela foi finalizada no governo militar sob o binômio "Seguranca e Desenvolvimento". O "Segurança" decididamente não tinha relação direta com a da estrada.

23 Maio 2008

Notinhas

1) Morreu o Senador Jefferson Péres (PDT-AM) e eu fico triste por dizer que o admirava, mas não sei exatamente dizer o que ele tenha feito em sua vida pública. É comum ouvir por aí, inclusive da minha boca, que o brasileiro não tem memória política e, por iso mesmo, acaba por votar novamente em quem não deveria. Confesso que em meio a tantos escândalos, é mais fácil lembrar de um Paulo Maluf (que também está no noticiário hoje) que de um Fernando Gabeira. Ou seja, é mais fácil lebrar do errado que do certo. Talvez até mesmo pelo fato de que o errado é um reincidente contumaz.



2) Isso me faz relembrar de uma hipótese já compartilhada com os amigos mais próximos. A de que o repositório intelectual brasileiro parece não se renovar na mesma velocidade com que se esvazia. Fico me perguntando sempre quando virão os novos Millor Fernandes, Rubem Alves, Oscar Niemeyer e Élio Gaspari, quando os atuais se forem.

3) Pra animar um pouco o dia, leio que saiu filme novo de Charlie Kaufman e pela primeira vez com o roteirista também como diretor. Quando será que estréia por aqui?

07 Fevereiro 2008

Encontro de Titãs

Entrevista feita por um dos meus colunistas favoritos (João Pereira Coutinho) com outro de meus colunistas favoritos (Diogo Mainardi).

Trecho:

Antes de qualquer pergunta sobre o seu livro, gostei de ver nele as fotos dos seus filhos brincando com um pelúcia do Lula. Em São Paulo, um amigo mostrou-me o mesmo boneco e disse-me que tinha sido criado por um artista plástico. Ainda tentei comprar um, mas não consegui. Você sabe onde eu posso encontrar esse boneco? Vou ver se arrumo um boneco extra. Obrigado. Você não acha que o boneco tem uma graciosidade que falta ao presidente? Pouco tempo atrás, acordei no meio da noite e flagrei o boneco roubando minha carteira e tentando matar o peixe no aquário.


20 Janeiro 2008

Claro, mas meio obscuro I

Eu não tenho um telefone da Telefonica, portanto não posso ter Speedy. A NET não chega na rua da minha casa, portanto não posso ter Virtua. Só não fico sem internet porque há uma conexão disponível no meu prédio. Ela não é muito rápida e nem posso pagar por mais velocidade. Isso me irrita um pouco. Contudo em 86% do tempo ela está funcionando. Na última quinta-feira, a Claro me ligou, oferecendo sua conexão sem-fio. Era um pouco mais caro, precisaria comprar um modem, mas a velocidade era maior, com possibilidade de aumento e ainda me livraria de fios. Achei interessante e contratei o serviço. Foi dado um prazo de 15 dias para a entrega do modem e o primeiro pagamento só acontecerá 30 dias depois do inicio de uso. Fiquei até surpreso quando ontem chegou o modem, sem levar os 15 dias pedidos. Instalei o novo modem, o que foi muito fácil. Mas depois tudo mudou. A conexão é instável, cai a todo minuto. Além disso se eu mudo de identidade no Windows tenho de refaze-la. Para piorar todas as portas de p2p e torrent são filtradas o que não poermite a conexão satisfatóriamente. Porque ter uma conexão rápida só para acessar a intenet do navegador, para isso eu posso usar até meu celular. Resolvi que vou devolver. Sempre ouvi dizer que posso devolver algo contratado pela internet ou por telefone em até 7 dias sem maiores explicações. Em uma breve pesquisa na interner descobri o seguinte:

Nesse diapasão, o Código de Defesa do Consumidor, Lei 8078/90, muito bem versou sobre o direito de arrependimento em seu artigo 49, dando a devida proteção ao consumidor para o caso deste se arrepender do contrato celebrado fora do estabelecimento comercial do fornecedor e também estabelecendo um prazo para ele exercer este direito, sob pena de prejudicar o fornecedor, senão vejamos:
Art. 49. "O consumidor pode desistir do contrato, no prazo de 7 (sete) dias a contar de sua assinatura ou do ato de recebimento do produto ou serviço, sempre que a contratação de produtos e serviços ocorrer fora do estabelecimento comercial, especialmente por telefone ou a domicilio".
Parágrafo único. Se o consumidor exercitar o direito de arrependimento previsto neste artigo, os valores eventualmente pagos, a qualquer título, durante o prazo de reflexão, serão devolvidos, de imediato, monetariamente atualizados".

Começa agora meu diálogo com a Claro para exercer este meu dirteito. Vamos ver se será simples fazer se cumprir a lei. Manterei o assunto atualizado aqui.